Criando seu curso on-line? Evite esses erros!

A Internet tornou possível explorarmos diferentes opções, aprendermos novas habilidades, e embarcarmos em novas carreiras com o clique de um mouse. Hoje em dia, no domínio do empreendedorismo on-line, todo mundo parece estar criando seu próprio programa, curso ou treinamento em grupo on-line.

 

Embora isso seja excelente, também existe um lado problemático. E esse lado é que há uma série de práticas nada exemplares e positivamente péssimas que a maioria das pessoas está copiando só porque viram alguém usá-las, às vezes com sucesso de vendas.

 

Se você tem a intenção de criar seus próprios cursos ou programas on-line, ou ainda quer criar um no futuro, então tome nota para evitar estes três erros comuns:

 

1. Vídeos Longos

Atualmente, o uso de vídeo é o padrão no mercado de infoprodutos e eu mesma já participei de vários webinários com grandes nomes da indústria, onde eles ensinavam as pessoas como criar seus próprios cursos on-line e afirmavam que a duração do vídeo não importa.

 

O que isso prova, infelizmente, é que a maioria das pessoas usa vídeo incorretamente.

 

Se você já assistiu à uma vídeo aula que dura mais de 30 minutos, as chances são que você sabe do que estou falando: vídeos longos são o beijo da morte em prender a atenção das pessoas e gerar engajamento. E a razão para isso é simples: vídeos longos criam uma sobrecarga cognitiva.

 

Em outras palavras, a quantidade total de esforço mental sendo usada na memória para processar toda essa informação no vídeo é simplesmente demais.

 

De fato, existem muitos estudos sobre duração de vídeo, e uma análise de dados da Wistia sugere que apenas cerca de 28% dos telespectadores assistem à vídeos de 10-20 minutos de duração até o fim. Essa porcentagem só diminui conforme a duração do vídeo aumenta, caindo para cerca de 8% quando os vídeos são de 60 minutos de duração ou mais.

 

Assim, se você optar por fazer vídeos com mais de 10 minutos, deve entender que uma parcela significativa da sua audiência não irá assisti-los até o final — ou, na melhor das hipóteses, vai ter dificuldade em assistir tudo. Uma estratégia mais inteligente é a de usar uma mistura de formatos para entregar o seu conteúdo, tais como áudio e escrita, e deixar sua melhor informação para vídeo — tornando-o conciso o suficiente para mantê-lo com menos de 10 minutos de duração.

 

2. Pensar que “conteúdo é rei” por si só

Quase que diariamente, ouço que “conteúdo é rei.” Mas é realmente?

 

Claro, conteúdo é um componente crítico em um curso; sem grande conteúdo, um grande curso é simplesmente impossível. Porém, no fim das contas, conteúdo é apenas informação. E informação está prontamente disponível e acessível em diversos meios para a maioria de nós.

 

Então, o que será o diferencial que fará com que as pessoas comprem os seus cursos ou programas, ao invés dos do seu concorrente que está ensinando sobre exatamente a mesma coisa?

 

Uma grande parte da equação é, com certeza, a relação que você estabelece e como se conecta com seu público-alvo. Afinal, as pessoas não compram o que você vende: elas compram você.

 

Mas a outra parte, muito menos glamourosa ou discutida, é o contexto que você cria para o seu conteúdo não só ser pertinente e aplicável, mas para sua audiência realmente tirar o máximo proveito dele no processo de aprendizagem e alcançar resultados reais—isto é, mudança, transformação, mais clientes, mais lucros, ou o que quer que sejam suas promessas de oferta.

 

Há quem diga que tudo o que importa são resultados, porque com esses não se discute. Mas, vamos lá: qual é realmente a taxa de sucesso? Alguém sabe? Cursos on-line historicamente tem uma taxa de sucesso e término extremamente baixa. Mesmo no setor universitário, onde as pessoas têm algo tangível e previsível na linha, que é receber um diploma, as taxas de graduação on-line nos EUA são somente de 5%. E isso porque universidades on-line criam seus cursos com especialistas (como eu) nessa área!

 

Nessa indústria de empreendedorismo on-line com pessoas vendendo seus próprios cursos, e muitas vezes os criando de forma errônea, números concretos para a taxa de término e sucesso nem devem existir, pois muitas das plataformas usadas não medem essas informações. Porém, imagino que sejam tão baixos quanto, senão menores, que os 5% das universidades.

 

Por isso digo que resultados realmente importam, mas discordo veementemente da noção que a experiência proporcionada no processo de aprendizagem seja algo de pouca importância. Tanto porque estudos sobre isso apoiam minha visão, quanto por experiência e observação próprias. Quando um programa tem muita enrolação, exercícios que não levam a nada ou não reforçam o conceito certo, ou contém qualquer outra falha que frustre sua audiência, isso afeta diretamente as chances de sucesso dos alunos.


Portanto, meus caros: deem atenção ao contexto! As pessoas não precisam de mais informação porque isso se acha em qualquer lugar e gratuitamente — elas precisam de contexto! E contexto é criado através da estrutura e organização adequada.

É realmente como fazer um bolo: se você adicionar os ingredientes na ordem ou em quantidade errada, as chances são que seu bolo vai dar errado. O produto final pode até ser parecido com um bolo e provavelmente até comestível (se bem que às vezes nem isso). Mas certamente não vai atingir seu potencial e ser macio, leve e delicioso.

 

Assim, considere com seriedade a sequência em que apresentar seus materiais, as medidas adequadas para cobrir cada tópico, e as melhores atividades que pode criar para ajudar seus clientes ou alunos a interagirem com o conteúdo e aprenderem o que se inscreveram para aprender.

 

3. Se preocupar muito com tecnologia

Não estou insinuando que diferentes ferramentas de tecnologia não importem porque, francamente, elas são uma grande parte do que cria a experiência do usuário. Se você escolher uma plataforma de entrega ruim, ou sistemas não confiáveis, isso pode afetar seriamente a motivação e até mesmo a capacidade dos seus alunos de conseguir terminar o curso todo.

 

E, obviamente, se eles nunca terminarem seu curso ou programa, isso não é grande negócio para você, mesmo que receba e fique com todo o dinheiro da venda.

 

O que eu estou dizendo é que as ferramentas de tecnologia não merecem a atenção esmagadora que recebem, às vezes ao ponto de causar paralisia. Verdade seja dita, nenhuma ferramenta de tecnologia no mundo pode ou jamais vai criar ou fazer o seu curso ou programa on-line maravilhoso. VOCÊ vai. Isso mesmo! Você — armado com seu cérebro, criatividade, estudo, pesquisa, trabalho duro, e uma caneta (se você é antiquado como eu, e pensa melhor no papel do que na tela).

 

Então, se concentre no que mais importa: criar e lapidar conteúdo valioso com o contexto adequado para encantar seus clientes, e formatá-lo para otimizar a motivação, interesse, e aprendizagem de sua audiência. Se você tiver conteúdo excelente apresentado de uma forma que permite que seus clientes tenham uma experiência memorável e obtenham resultados reais, o modo de entrega se torna realmente secundário.

 

 

Você está criando o seu próprio curso ou programa on-line?

 

Se está, ou mesmo se já tiver um pronto, eu adoraria saber quais as dificuldades que enfrentou ou está enfrentando nesse processo. Comente abaixo ou se conecte comigo nas mídias sociais!


PS: Este artigo foi originalmente publicado por Priscila Hinkle, para o Huffington Post, em 22/04/2015.