O ponto de vista de uma imigrante sobre o Sonho Americano

O ponto de vista de uma imigrante sobre o Sonho Americano

Esbarrei nessa matéria aqui navegando esses dias e não pude deixar de ter alguns pensamentos.

 

Há 17 anos, quando vim para os Estados Unidos empreender não estava exatamente na minha lista principal de objetivos.

 

Eu estava iniciando a vida adulta e minha principal motivação era fazer isso ao lado do homem que eu amava.

 

Sair do país, viajar de avião, administrar meu próprio dinheiro e a adaptação cultural foram apenas alguns dos desafios que enfrentei pela primeira vez - uns pela mudança, outros porque fazia parte da nova fase que estava vivendo, mesmo.

 

Mas uma coisa é fato, apesar de sempre desejar passar uma temporada fora do país, nunca esteve nos meus planos construir uma vida inteira longe do Brasil.

 

Quando entendi que minha estadia aqui seria permanente, entendi também que me tornar tão bem sucedida quanto qualquer americano seria o meu desafio particular, pois não queria de forma alguma passar por discriminação pelo fato de ser imigrante.

 

Isso se tornou essencial para mim, pois ao me mudar para a Califórnia onde existe uma quantidade considerável e imigrantes legais e ilegais, o preconceito é extremamente evidente e resolvi que não ficaria naquela posição, de jeito nenhum.

 

Esse foi um objetivo que conquistei a um preço bem alto, pois no processo de adaptação e integração a cultura americana,  acabei perdendo minha essência (talvez “abdicando” seja até a palavra mais correta).

 

Fiz intencionalmente, sem entender na época as consequências que obrigatoriamente sofreria - devido a falta de auto-conhecimento, imaturidade e inexperiência que tinha aos 19 anos de idade - e me desconectando de parte das raízes culturais brasileiras no processo.

 

Algo que tenho trabalhado para resgatar nos últimos 7 anos e empreender com o público brasileiro tem ajudado bastante a faze-lo.

 

E para quem sai do Brasil com o objetivo de se firmar aqui, acredito que a história pode acabar se repetindo. Estudar, trabalhar e adquirir estabilidade financeira e conforto talvez sejam alguns dos princípios desse tal sonho americano dos que vem para cá nessa empreitada.

 

Esses princípios são tão difundidos aí fora através dos filmes e da presença da cultura pop americana que é forte em muitos lugares, que me pergunto se realmente estamos preparados para lidar com a realidade.

 

E a minha, devo falar, nem sempre foi tão colorida assim.

 

Nada de cenas hollywoodianas. Ao me dar conta de que estaria tomando uma decisão para a vida toda, quando a novidade e sensação de “estar de férias” acabou um mês e meio após minha chegada e enxerguei que aquilo tudo — o bom e o que me incomodava demais — seria minha nova realidade “para sempre”, tudo que me restou mesmo foi um choque cultural que resultou em uma grande crise de identidade pessoal.

 

Passada a crise, só uma alternativa: erguer a cabeça, me armar do meu perfeccionismo (que não era tão em recuperação assim naquela época) e enfrentar o que fosse necessário, com sucesso.

 

Embora não exista uma definição exata da expressão sonho americano, entendo que ele está fundamentado no ideal de sucesso e prosperidade constante. E, de fato, os EUA possuem uma cultura, um hábito mais rígido no sentido de propiciar isso.

 

Mas o país por si só, não faz isso funcionar. O que funciona mesmo, são as pessoas que alimentam esse movimento, com duas características - que curiosamente são fundamentais também para o empreendedorismo: foco e disciplina.

 

Um sem o outro talvez não cause grandes efeitos.

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Justamente por ter um nível extremo de disciplina focada em um resultado, foi que atingi objetivos pessoais que me permitiram tomar decisões que transformaram minha vida no que é hoje - não perfeita, mas a caminho de conquistas que desejo.

 

O fato é que, a vida aconteceu para mim dessa forma, e a realidade de muitas pessoas que vem para cá ou até mesmo dos próprios americanos que perseguem esse sonho, pode ter nuances diferentes.

 

Mas o ideal do sonho americano, penso eu, deve deixar cada vez mais de ter esse apelo tão forte. Acredito que aos poucos às pessoas comecem a falar de ideal do sonho apenas, pois entendo que sucesso e prosperidade, podemos de certas formas, alcançar em qualquer lugar do globo.

 

No que diz respeito ao empreendedorismo, me parece ser um caminho natural para muitos brasileiros que vem para cá, independente dos motivos iniciais.

 

E empreender PARA brasileiros, na verdade acaba sendo uma maneira bem especial que encontramos para unir o sustento com às raízes.

 

É a minha forma de estar perto da cultura em que nasci e participando indiretamente na transformação e evolução de um lugar e de pessoas que sempre serão muito especial no meu coração.

 

Meu balanço dessa aventura que se tornou uma vida - e que você pode aplicar no seu dia a dia de empreendedora ou empreendedor:

 

  1. Foco e disciplina: essas duas palavras podem te levar a qualquer lugar que você deseja. Faça ser uma rotina em seu negócio.

  2. Não tome decisões ou faça planos de ação inspirados somente pelo perfeccionismo, isso pode matar parte da sua essência, de quem você é de verdade - palavra de perfeccionista gente, é serio.

  3. O sonho não é americano, brasileiro ou grego. O sonho é seu. E você pode realizá-lo independente do país ou situação em que estiver. Mas você PRECISA colocar a mão na massa. ;)

 

E para encerrar, compartilho com vocês às palavras do Carlos Wizard Martins sobre exatamente o mesmo tema:


“Em primeiro lugar, acredito que é necessário avaliar o que está por trás do sonho americano. Muitas pessoas têm buscado no exterior oportunidades de progredir financeiramente, mas não percebem que o Brasil também é um país de oportunidades. Apesar do momento de desconfiança econômica e política, existem inúmeras possibilidades de investimento no País e este é um momento oportuno. Tão logo esse momento de crise passe, o país voltará a crescer e quem tiver a ousadia de investir agora, estará pronto para colher resultados. Isso não impede, claro, quem tem o sonho de viver em outro país de fazê-lo. Em qualquer uma das opções, é preciso estar preparado. Se eu puder dar um conselho, diria: acredite em si mesmo, no seu potencial, no seu sonho e nas oportunidades disponíveis ao seu redor”.

 

Abraços,

Priscila



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